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riscos_e_rabiscos

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Sob uma lua alentejana.

Estas fotos são fresquinhas, fresquinhas. Acabadas de tirar no Alentejo. E é assim que a "Superlua"* ilumina as ruas do meu querido Alentejo.

 

 

 

 

 

 

*Todos os 27,3 dias a Lua dá uma volta completa em torno da Terra. Como a órbita não desenha uma circunferência, mas uma elipse, a distância entre o satélite natural e o planeta varia todos os meses cerca de 7%, entre um mínimo, 356 574 quilómetros (perigeu) e um máximo, 406 731 km (apogeu). O termo "superlua" surgiu em 1979, num artigo publicado pelo astrólogo norte-americano Richard Nolle.

Alentejo Seen From the Train

 

 

Nothing with nothing around it

And a few trees in betweeen

None of which very clearly green,

Where no river or flower pays a visit.

If there be a hell, I've found it,

For if ain't here, where the devil is it?

 

 

                                                                                                                      Fernando Pessoa

Alentejo, terra de calor e memórias

Hoje andei a arrumar umas fotos e aproveitei para as rever.

Eram fotos de há alguns anos atrás tiradas no Alentejo, mais precisamente na terra da minha mãe. Acabaram por me vir à memória algumas férias da minha infância e juventude, que aí foram passadas em casa das minhas tias (eu nunca lá tive casa).

 

Era mais habitual eu ficar na casa da minha tia Ganhão cuja casa fica mais no centro da aldeia, mais precisamente ao pé da igreja. Quando eu era miúda, ela tinha uma “venda”. Lembro-me de ela me dar montes de gelados de água e de eu andar a brincar com as medidas de madeira para o feijão, grão, etc. Lembro-me também do meu tio Zé matar as galinhas que tinha no aviário no quintal. Eu não achava piada nenhuma àquilo. Havia também um fumeiro e eu adorava ajudar a fazer chouriços. Ehehehe!

 

Quando ficava na casa da minha tia Torradinha – casa que tinha sido dos meus bisavós -, que ficava situada numa ponta da aldeia, ela fazia sempre um bolo de leite espectacular. Herdei a receita dela mas o sabor não é o mesmo. Os ingredientes não têm a mesma origem.

Todos os dias de manhã, havia figos fresquinhos para comer pois o meu tio António ia buscá-los ao seu terreno.

Era uma casa enorme com uma chaminé gigantesca onde nos sentávamos ao fresco ou à braseira, com cavalariças onde viviam as mulas e com um quintal enorme cheio de rosas de chá e cujo muro era constituído por uma pedra antiquíssima e valiosa.

 

Foi aqui também que  me estreei com uma infestação de piolhos. Era véspera da festa da terra e a minha mãe foi pentear-me e fazer-me tranças. Ela ia morrendo com a piolheira que havia na minha cabeça. Foi esfregada, penteada e sei lá mais o quê. Só faltou colocar insecticida ou arrancar-me os cabelos. Mas a verdade seja dita: não restou um piolho para contar a história. :P

 

Lembro-me de um ano, em que também lá fomos em época de festa, termos ficado eu e a minha prima B., que tinha levado uma amiga, na casa da minha tia Torradinha. Dormimos todas no mesmo quarto e durante a noite ouvimos uns barulhos estranhos no tecto. Claro que pensámos logo que seriam fantasmas e coisas do género, principalmente porque nunca se ia ao quarto que havia no 1º andar e que servia para guardar géneros alimentares. Gritámos pelas nossas mães cheias de medo. Foi-nos dito que “eram os miúdos a atirar pedras ao telhado”. Ficámos mais ou menos convencidas e ferrámos a dormir. No dia seguinte, a minha mãe disse-me que tinham sido ratos a passear pelo telhado. Arg!

 

Muitas outras histórias há para contar, desde a da “entopeia” à da panela de pressão que estourou ou ainda as de quando era teenager, vivenciadas por mim e pela minha amiga S.. Um dia destes regresso ao tema do Alentejo e conto mais umas histórias.

 

Hoje apeteceu-me por em evidência a minha costela alentejana. Quem me conhece sabe que eu gosto muito do Alentejo, sabe-se lá porquê…! ;)

                                                                                  

P.S. - Só hoje consegui colocar uma imagem. Problemas sapianos... :P.

Legenda: Igreja da terra da minha mãe cujo interior é decorado com frescos. Seria um gáudio para os nosso olhos se não os tivessem caiado e nalgumas partes coberto com cimento. Mas não entrem em pânico: estão a tentar restaurá-la.

Para além deste ex-libris, existem apenas mais dois: a escola primária e o depósito da água, sendo este a construção mais alta da aldeia pelo que é conhecido popularmente como o castelo da aldeia. :)